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Milagre do Amor II

A história de Ernani

Leia com atenção esta mensagem


Certa vez trabalhei em uma pequena empresa de engenharia.
Foi lá que conheci um rapaz chamado Mauro. Ele era um grandalhão e gostava de fazer brincadeiras com os outros, sempre pregando pequenas peças.

Havia também o Ernani, que era um pouco mais velho que o resto do grupo.
Sempre quieto, inofensivo, à parte, Ernani costumava comer o seu lanche sozinho, num canto da sala.

Ele não participava das brincadeiras que fazíamos após o almoço, sendo que, ao terminar a refeição, sempre sentava sozinho debaixo de uma árvore mais distante.

Devido a esse comportamento, Ernani era o alvo principal das brincadeiras e piadas do grupo. Ora ele encontrava um sapo na marmita, ora um rato morto em seu chapéu.

E o que achávamos mais incrível é que ele sempre aceitava aquilo sem ficar bravo.

Em um feriado prolongado, Mauro resolveu ir pescar no pantanal. Antes, nos prometeu que, se conseguisse sucesso, iria dar um pouco do resultado da pesca para cada um de nós.

No seu retorno, ficamos todos muito animados quando vimos que ele havia pescado alguns dourados enormes.

Mauro, entretanto, levou-nos para um canto e nos disse que tinha preparado uma boa peça para aplicar no Ernani.

Mauro dividira os dourados, fazendo pacotes com uma boa porção para cada um de nós.

Mas, a ‘peça’ programada era que ele havia separado os restos dos peixes num pacote maior, à parte.
Vai ser muito engraçado quando o Ernani desembrulhar esse ‘presente’ e encontrar espinhas, peles e vísceras! Disse-nos Mauro, que já estava se divertindo com aquilo.

Mauro então distribui os pacotes no horário do almoço.

Cada um de nós, que ia abrindo o seu pacote contendo uma bela porção de peixe, então dizia: OBRIGADO!

Mas o maior pacote de todos, ele deixou por último.

Era para o Ernani.

Todos nós já estávamos quase explodindo de vontade de rir, sendo que Mauro exibia um ar especial, de grande satisfação. Como sempre, Ernani estava sentado sozinho, no lado mais afastado da grande mesa.

Mauro então levou o pacote para perto dele, e todos ficamos na expectativa do que estava para acontecer.

Ernani não era o tipo de muitas palavras. Ele falava tão pouco que, muitas vezes, nem se percebia que ele estava por perto. Em três anos, ele provavelmente não tinha dito nem cem palavras ao todo.

Por isso, o que aconteceu a seguir nos pegou de surpresa.

Ele pegou o pacote firmemente nas mãos e o levantou devagar, com um grande sorriso no rosto.

Foi então que notamos que seus olhos estavam brilhando.

Por alguns momentos, o seu pomo de Adão se moveu para cima e para baixo, até ele conseguir controlar a emoção.

- Eu sabia que você não ia se esquecer de mim disse com a voz embargada. Eu sabia, você é um grandalhão e gosta de fazer brincadeira, mas sempre soube que você tem um bom coração.

Ele engoliu em seco novamente, e continuou falando, dessa vez para todos nós.

- Eu sei que não tenho sido muito participativo com vocês, mas nunca foi por má intenção.

- Sabem... Eu tenho cinco filhos em casa, e uma esposa inválida, que há quatro anos está presa na cama. E estou ciente de que ela nunca mais vai melhorar.

-Às vezes, quando ela passa mal, eu tenho que ficar a noite inteira acordado, cuidando dela.

- E a maior parte do meu salário tem sido para os seus médicos e os remédios.

- As crianças fazem o que podem para ajudar, mas tem sido difícil colocar comida para todos na mesa.

- Vocês talvez achem esquisito que eu vá comer o meu almoço sozinho, num canto.

- Bem, é que eu fico meio envergonhado, porque na maioria das vezes eu não tenho nada para pôr no meu sanduíche.

- Ou, como hoje, eu tinha somente uma batata na minha marmita.

Mas eu quero que saibam que essa porção de peixe representa, realmente, muito para mim.

- Provavelmente muito mais do que para qualquer um de vocês, porque hoje à noite os meus filhos...

Ele limpou as lágrimas dos olhos com as costas das mãos.

- Hoje à noite os meus filhos vão ter, realmente, depois de alguns anos...

E ele começou a abrir o pacote...

Nós tínhamos estado prestando tanta atenção no Ernani, enquanto ele falava, que nem havíamos notado a reação do Mauro.

Mas agora todos perceberam a sua aflição, quando ele saltou e tentou pegar o pacote das mãos do Ernani. Mas era tarde demais.

Ernani já tinha aberto o pacote e estava, agora, examinando cada pedaço de espinha, cada porção de pele e vísceras, levantando cada rabo de peixe.

Era para ter sido tão engraçado, mas ninguém riu.

Todos nós ficamos olhando para baixo. E a pior parte foi quando o Ernani, tentando sorrir, falou a mesma coisa que todos nós havíamos falado anteriormente.


- OBRIGADO!



Em silêncio, um a um, cada um dos colegas pegou o seu pacote e o colocou na frente do Ernani, porque depois de muitos anos nós havíamos, de repente, entendido quem era realmente o Ernani.

Uma semana depois, a esposa de Ernani faleceu.

Cada um de nós, daquele grupo, passou então a ajudar as cinco crianças.

Graças ao grande espírito de luta que elas possuíam, todas progrediram muito:

Carlinhos, o mais novo, tornou-se um importante médico. Fernanda, Paula e Luisa montaram o seu próprio e bem-sucedido negócio: elas produzem e vendem doces e salgados para padarias e supermercados. O mais velho, Ernani Junior, formou-se em Engenharia: sendo que, hoje é o Diretor Geral da mesma empresa em que eu, Ernani e os nossos colegas trabalhavam.

Mauro, hoje aposentado, continua fazendo brincadeiras; entretanto, são de um tipo muito diferente: ele organizou nove grupos de voluntários que distribuem brinquedos para crianças hospitalizadas e as entretêm com jogos, estórias e outros divertimentos.

Às vezes, convivemos por muitos anos com uma pessoa, para só então percebermos que a mal a conhecemos.

Nunca lhe demos a devida atenção; não demonstramos qualquer interesse pelas coisas dela; ignoramos suas ansiedades ou seus problemas.

Desconheço Autor

Essa mensagem é muito linda, porque nos ensina em primeiro lugar conhecer nosso próximo, e juntos sim, compartilhar alegrias e tristezas, angústias e felicidade.
 
Espero que essa história sirva para aprendermos mais um pouco de como lidar com "alguém", que convive conosco muito ou quase nada e no entanto é como se fosse "ninguém".

Com carinho

Ranulfo

4 Deixe seu comentário:

Adalberto disse...

Lindo demais, adorei.
Pena que aínda, exista muitos fanfarrões idiotas que não respeitam os sentimentos alheios.

Abel disse...

Nunca devemos julgar ou criticar ninguém.
Muito menos sem saber a verdadeira razão de suas atitudes

Ranulfo disse...

Olá Adalberto e Abel.

Agradeço suas visita.

Respeitar os sentimentos alheios é o minimo que podemos fazer.
É se quisermos fazer algo, que seja para ajudar.

Voltem sempre.
Abraços

Anônimo disse...

NÃO RECRIMINO O ALEGRE BRINCALÃO MAURO, CADA UM TEM SEU JEITO. NA VERDADE TODOS NÓS (PESSOAS DE BOAS ÍNDOLES)TEMOS 90% DE BONDADE E 10% A SER CONTROLADO ( QUEIRAMOS OU NÃO SOMOS PECADORES), TEMOS QUE TER CUIDADO PARA NÃO ERRAR.
NOS MEUS 10%, NÃO AGIRIA ASSIM: PROCURARIA SENTAR-ME PERTO DO MAIS QUIETO, HUMILDE E PERCEBERIA "SEM CERTEZA" SUA INFELICIDADE .
EU, PROCURARIA DIALOGAR E SE POSSÍVEL SER SEU AMIGO, POR ESTE SENTIMENTO TENHO MUITOS AMIGOS POBRES, ISTO É MAIS POBRE QUE EU, EMBORA PERTENÇA A UMA CLASSE, A QUAL RECONHEÇO SEU PRIVILÉGIO .
OS MEUS 10%, COMO TODO HUMANO TEM DE ERRADO ESTA EM OUTRO CASO...
UM DIA LHES CONTAREI...NADA ALARMANTE, POIS CONSIGO MANTER MINHAS BOAS ATITUDES.

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